A humanidade nossa de cada dia!

Nós, os seres "humanos" somos realmente surpreendentes, notáveis!

Eu duvido, que alguém em menor ou maior grau, de alguma forma, não reconheça algum conhecido, amigo, ou colega em algum dos itens abaixo.

O ser humano veste uma roupa de rei achando que isso o torna nobre;
Critica a conduta do outro, mas não deixa de agir igual se isso facilitar a sua vida de alguma forma;
Sempre acha que a grama do vizinho é mais verde, a mulher dele é mais gostosa, os filhos mais inteligentes, o carro é melhor e o salário mais alto;
Acha que não ganha o suficiente, que o colega trabalha menos e ganha mais;
Consegue ver a solução para a trama da novela das oito, para o drama da vizinha e para as dores dos amigos, mas sequer enxerga os seus próprios conflitos, a sua própria incoerência;
Sorri sem vontade, mas não perde a chance de criticar no mínimo impulso;
Defende a liberdade de expressão quando quer dizer o que pensa, mas se ofende com o outro se expressando;
Se coloca no tribunal, mas só se for para julgar o outro;
Quer gentileza na sua direção sem praticar a gentileza com quem o solicita;

Nós somos espelho, só identificamos no que vemos, aquilo que reconhecemos.





reconhecimento
re.co.nhe.ci.men.to

sm (reconhecer+mento2) 1 Ato ou efeito de reconhecer. 2Psicol Aspecto funcional da memória pelo qual a pessoa tem o sentimento de algo já experimentado ou conhecido. 3Averiguação, exame, verificação. (Fonte: Michaelis)









Astrologia - Ah, então a culpa é dos planetas! Ahã =)

Características gerais de quem tem esses posicionamentos. Pode-se ter tudo isso em maior ou menor grau
Lua em Virgem - Como você é emocional e sentimentalmente
Reage pela adaptação prática a todos os estímulos externos respondendo analiticamente a todas as experiências. Teimosia. Firmeza. Praticidade. Discreta sentimentalmente com os outros. Não se relaciona emocionalmente com facilidade, é mais contida, reservada; aparentemente sem emoções, fria. Tende a ser correta, perfeccionista, não quer cometer erros; analisa as emoções. Muito desejo sexual. Capacidade intuitiva.
Mercúrio em Capricórnio - Como é o seu contato intelectual 
Comunica-se com seriedade e cautela, com forte senso de autoridade, eventualmente racionalizando. Pensamentos e procedimentos metódicos. Objetiva, prática, factual, lógica, inteligente. Trabalhadora. Disciplinada. Determinada. Realiza as ideias. Ambição. Frieza. Habilidade para matemática. Não gosta muito de "conversa fiada". Maturidade desde cedo.
Vênus em Escorpião - Como é o seu contato afetivo e social 
Emoções profundas, desejos sexuais intensos, erotismo, sensualidade, excessos sexuais, desejos ocultos. Ciumenta, possessiva, manipuladora. Sangue frio, frieza, atos pensados e calculados. Sadismo requintado. Sacrifica-se por amor. É fiel, sexo pode não ser considerado traição; mas exige fidelidade do outro. Faz vínculos fortes, tanto nas relações sociais quanto afetivas, mas não se mostra inicialmente. Interesse em comportamento humano, psicanálise.
Marte em Gêmeos - Como você age com o meio externo
Afirma-se flexivelmente, verbal e inteligentemente usando a força da comunicação. Réplica rápida. Discurso direto, objetivo. Capta informação e passa rapidamente. Mente ágil. Questionadora. Argumentadora. Observadora. Inquieta. Destreza manual. Atração por discussões intelectuais. Discurso satírico e mordaz. Agressividade verbal. Destreza em trabalhos e atividades simultâneas. Fala bastante. (Por Fernanda Ferri especialmente para mim)



Eu por mim mesma: Apesar das tendências, (que eu acredito que nasceram comigo como resultado de outras vivências) eu me considero em (des) construção constante. Por esta razão, não admiro quem me coloque rótulos. Eu sou um ser em transformação e gosto disso. 
Não quero olhar para o espelho todos os dias sem ver que algo já não é mais como era antes.
Rotular limita, bloqueia.
Eu gosto de voar, sem destino, sem sacos de areia ou rede de proteção.
Eu quero engolir o mundo e quero que o mundo esteja em mim.


Simplificar para viver

Mania de achar que o que é bom, fácil e tranquilo vira monotonia.
Para que esta inquietude? Essa ilusão? Natureza? Imaturidade? Eu não sei, ainda sou aprendiz.
Tem gente que prefere se banhar em águas mansas e mornas e tem gente que quer ser surfista, quer desafiar as maiores ondas do mundo.
Eu prefiro um mar calmo, onde eu possa relaxar. As ondas quebram a calma porque me deixam sempre alerta. Talvez a resposta seja mesmo a natureza de cada um, enquanto uns querem o regaço, a tranquilidade, outros querem a ventania, a fúria, a inquietude. Já existe em mim uma inquietude interior e infinita, no meu exterior eu quero a calma, a tranquilidade. Uma  tarde de por do sol e brisa fresca numa varanda tranquila no campo, este é o meu momento!
Quem gosta do vendaval vai achar a minha varanda a maior monotonia mesmo...


* Este texto foi escrito em 2008, por alguma razão misteriosa ele foi publicado novamente ontem...

Deus te abençoe, Bartolomeu!

O ano começou e eu ainda na procrastinação da velha nova lista que não cumpri. Evidentemente um dos itens era escrever mais.
Todos os dias eu olho para o caderno, o notebook e para minha cara no espelho do banheiro e digo para mim mesma "amanhã eu te pego!". Isso é o que eu chamo de procrastinação crônica. Embora eu tenha consciência disso, a constatação da minha ressaca-vergonha não é mais forte do que a minha falta de vergonha na cara.
Depois de tanto procrastinar, eu fui aturdida ontem pela total falta de sono e ao acordar as  três e meia da madrugada e zanzar pela net em busca de entretenimento, me deparei com meu post it "escreva mais".
Uma das consequências de não escrever por muito tempo é que quando você finalmente senta para fazer, todos aqueles assuntos que você listou mentalmente para se inspirar, desaparecem como fumaça na brisa mental.
Então, buscando estes itens que eu não anotei por total excesso de confiança em minha memória vadia, eu não encontrei palavras, era muita coisa!
"O mundo é bão Sebastião!" "Mundo mundo vasto mundo." De Nando Reis a Drummond eu encontro pelo caminho os assuntos e experiências que gostaria de dilacerar pela escrita. Dilacerar? Sim, em mim. Porque assim quem sabe, eu consigo me livrar deles.

São muitas as possibilidades.
E, brincando de pensar nelas para escrever, acabou saindo este ensaio de escrever.
Então me perdoem, estou com aquela escassez de organização mental e não estou conseguindo parir nenhum texto com um assunto em especial.
Mas como ontem tive essa insônia danada de boa! Conheci alguém que gostaria de ter conhecido vivo, já que morreu agorinha mesmo...
Já que ele me fez saborear cada minuto não dormido, em agraciamento, encantamento e gratidão, eu gostaria de homenageá-lo aqui. Deus te abençoe, Bartolomeu!
"Há pessoas que quando nos olham nos afastam. Outras, quando nos olham, nos acariciam." 
"O grande patrimônio que temos é a memória. A memória guarda o que vivemos e o que sonhamos. E a literatura é esse espaço onde o que sonhamos encontra o diálogo. Com a literatura, esse mundo sonhado consegue falar."
"Quem sabe as coisas faz livro didático e quem não sabe faz literatura. Se você tem uma coisa a afirmar, você não tem que fazer literatura. Literatura é uma conversa sobre as dúvidas. É uma conversa sobre as delicadezas, sobre as faltas. Não é uma conversa crua como desejam as ciências exatas. A literatura é mais delicada. Ela trabalha com a dúvida, com as incertezas, com as inseguranças, com as faltas, que são coisas que nos unem." 
"Outro dia, estava pensando que eu também, quando dói muito, escrevo. É a mesma coisa. Quando pesa muito, eu escrevo. Hoje, não fico na janela como meu avô ficava. Mas fico o tempo todo em frente ao Windows. Trocamos os lugares, mas continuamos na janela."
"Hoje, estamos com muita gente encontrando a verdade. Quando uma pessoa encontra a verdade, a única coisa que ela adquire é a impossibilidade de escutar o outro. Ela só fala, não escuta mais. Quem encontra a verdade só fala." 
"A metáfora é muito interessante para o escritor. A metáfora é onde o escritor se esconde e põe asas no leitor. Pela metáfora, eu me escondo, mas ao mesmo tempo ponho asas no leitor. Vai aonde você quiser. Você está livre para romper com tudo. Acho que o leitor é tão criador quanto o escritor. O leitor cria muito. É o que o Umberto Eco fala — a estrutura ausente na obra. Você gosta de uma obra não pelo que está escrito, mas pelo lugar que ela o levou a pensar. Isso é muito interessante. Michel Foucault fala que o que lemos não é a frase que está escrita. Lemos o silêncio que existe entre as palavras. É ali que a literatura se faz. Vou falar bem francamente. Hoje, chego à conclusão de que escrevo porque quero dizer umas coisas e acho a palavra oral muito perigosa. Escrever é mais fácil do que falar. Quando escrevo e não gosto do texto, eu o rasgo. Jogo fora, apago, deleto, sumo com aquilo. Mas quando falo uma coisa errada, não recolho a palavra nunca mais. Isso me incomoda muito. Sou extremamente silencioso em minha natureza. Tenho muito medo da palavra oral. Sinto muitas vezes que as palavras me ferem ou eu firo alguém com essa palavra. Não recolho nunca mais essa palavra que cai no ouvido do outro. Talvez escreva por medo da fala."
"De repente, vi uma formiguinha descendo depressa a parede branca do escritório. Olhando para ela, fiquei tão abismado. Eu sabia fazer tanta coisa, mas não sabia quem botou o desejo do açúcar no coração da formiga. Aí, a literatura não dá conta. Os pequenos gestos da natureza me encabulam muito. Sei que a palavra não dá conta. Mesmo sabendo que é a palavra que organiza o caos. No Gênesis, Ele veio e disse: “Faça-se a luz!”. E a luz se fez. Foi a palavra que organizou o caos. Você vai ao psicanalista porque está em desordem e acredita que a palavra irá te organizar. A palavra cura. De repente essa palavra não dá conta de dizer muita coisa. Ao mesmo tempo a palavra desestabiliza. A palavra é uma coisa muito pesada. Nossa Senhora ficou grávida da palavra do anjo. O anjo chegou, disse que ela seria mãe e ela acreditou. A palavra tem esse poder transformador."
"A memória é o nosso grande lugar. Na memória tem tanto o que vivi quanto o que sonhei ter vivido. Não acredito em memória pura. Toda memória é ficcional. É um pedaço da memória com mais um pedaço da fantasia. A fantasia é o que temos de mais real dentro de nós. A fantasia é a minha verdade mais profunda. A fantasia é aquilo que não conto para ninguém, só para as pessoas que amo muito. Ela é tão verdadeira que quando vou contar essa fantasia, faço uma metáfora para protegê-la. Pois a fantasia é o que tenho de mais profundo dentro de mim. É o meu real mais absoluto. Não existe uma memória pura, toda memória é ficcional. Precisamos tomar posse da fantasia. Todo real é uma fantasia que ganhou corpo. O que põe o novo no mundo é a fantasia. Uma escola nova é uma escola que cultiva a fantasia. Se ela ficar só na tradição, ela só fica na repetição. Ela não instala o novo. É a fantasia que inaugura o novo no mundo. Há cem anos, voar era uma fantasia do Santos Dumont." 
"Quando uma sociedade e seus valores ficam muito perdidos, ela ganha muita força para a auto-ajuda. É uma sociedade que procura o que fazer, como viver. Precisa muito de receita. O melhor diálogo que travamos na vida é com o silêncio. Conversar com o silêncio é fascinante. Vivemos em uma sociedade em que o silêncio está interditado. As pessoas falam o tempo inteiro. Você entra no aeroporto e a tevê está ligada o tempo inteiro. No hotel, a tevê está ligada o tempo inteiro. Tem uma música tocando no elevador, tem alguém falando no celular. Tem pessoas com três celulares. É um mundo que fala o tempo inteiro. Não conversamos com o silêncio. E quando escutamos o silêncio, temos muitas respostas. Estamos ficando cada dia mais interditados do silêncio." 
Pérolas de Bartolomeu de Campos Queiroz - extraídas de: No dia 7 de junho, o projeto Paiol Literário — promovido pelo Rascunho em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba, o Sesi Paraná e a Fiep — recebeu o escritor BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS. Nascido em Papagaio (MG), em 1944, ele tem 66 livros publicados (alguns deles traduzidos para inglês, espanhol e dinamarquês) e é considerado um dos principais autores da literatura infanto-juvenil brasileira. http://rascunho.gazetadopovo.com.br/bartolomeu-campos-de-queiros/

Não adianta ter atitude fora do tempo de agir

Timing - Sensibilidade para o momento propício de realizar ou de ocorrer algo, ou senso de oportunidade quanto à duração de um processo, uma ação. Percepção do tempo certo de agir, sincronia perfeita entre a oportunidade e a ação;

O valor de uma atitude também é medida pelo timing.
Muitas vezes a pessoa que age não entende a recepção morna de uma atitude que foi tão esperada, não percebe, na verdade, que perdeu o timing para a entrega. É como pedir chocolate quente num dia de inverno e recebe-lo no verão.
A vontade passa, o cenário muda, o tempo caminha a passos longos e rápidos, o que era para ser um presente, uma surpresa, perde o valor depois que o timing ficou para trás.

A vida te convida para dançar o tempo todo, a sua atitude é como os passos de dança, ou você sincroniza com os dela ou estará sempre dançando fora do ritmo.



Coisas que eu gosto!

Eu gosto de andar pela rua
bater papo, de lua e de amigo engraçado
Eu gosto do estilo do Zorro 
o visual lá do morro e de abraço apertado
Eu gosto mais de bicho com asa
mais de ficar em casa e mais de tênis usado
Eu gosto do volume, do perfume
do ciúme, do desvelo e do cabelo enrolado
Eu gosto de artistas diversos
de crianças de berço e do som do atchim
Eu gosto de trem fora do trilho
de andar com meu filho e da cor do marfim
Tem gente, muita gente que eu gosto
que eu quase aposto que não gosta de mim
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto de artista circense
de astista que pense e de artista voraz
Eu gosto de olhar pra frente
de amar pra sempre o que fica pra trás
Eu gosto de quem sempre acredita
a violência é maldita e já foi longe demais
Eu gosto do repique do atabaque
do alambique badulaque do cachimbo da paz
Eu gosto de inventar melodia
da palavra poesia e de palavra com til
Eu gosto é de beijo na boca
de cantora bem rouca e de morar no Brasil
Eu gosto assim do canto do povo
e de tudo que é novo e do que a gente já viu
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto de atores que choram ali por nós
e namoram ali por nós na TV
Eu gosto assim de quem é eterno
de quem é moderno e de quem não quer ser
Eu gosto de varar madrugada
de quem conta piada e não consegue entender
Eu gosto da risada gargalhada
da beleza recriada pra que eu possa rever
Eu gosto de quem quer dar ajuda
e acredita que muda o que não anda legal
Eu gosto de quem grita no morro
que a alegria é socorro e que miséria é fatal
Eu gosto do começo do avesso
do tropeço do bebum que dança no carnaval
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto é de ver coisa rara
a verdade na cara é do que gosto mais
Eu gosto porque assim vale a pena
a nossa vida é pequena e tá guardada em cristais
Eu gosto é que Deus cante em tudo
e que não fique mudo morto em mil catedrais
Eu gosto é de cantar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar

Um continho

Era só um papel amarelado pelo tempo, uma escrita manchada  pela umidade do olhar, um pedaço de sentimento que as palavras tentavam camuflar inteireza.
A mão pequena e triste segurava aquele papel como uma esperança que escapa pelos dedos.
Alguns anos não foram a distância suficiente para se deixar tocar. Ainda ficava comovida por aquele sopro do passado.
A vida correu tão rápida e sorrateira que já se passavam cinco anos.
Há uma abismo infinito entre a entrega de uma mensagem e seu recebimento, um mistério que permanece entre o tempo e a razão das coisas.
Na ansiedade de mantê-la em sua vida, ele a buscou antes da hora. Ela não teve tempo de perceber seu querer, foi tudo rápido demais para seu caminhar lento.
O pedido que ele entregou foi recebido por ela como uma despedida .
Hoje olhando para o mesmo papel percebia que a leitura no recebimento estava carregada de seus medos, não viu o amor que cada linha continha. Um pedido de casamento transformado em adeus e uma vida inteira para pensar em como teria sido. "Uma vida é pouco tempo para imaginar a vida inteira com você, por isso eu quero viver isso a partir de agora, vem comigo?"


Vejo pessoas por ai

Vejo por ai pessoas que não conseguem olhar para o que tem e desfrutar o presente almejando sempre alguma coisa que não está ali, mas que na sua mente, um dia estará e neste vislumbre depositam toda a sua energia, como ratinhos correndo atrás do queijo dentro da gaiola.
Vejo por ai pessoas que não pensam duas vezes, nem por um segundo, antes de sair distribuindo farpas, mas que são incapazes de fazer uma gentileza porque sua mente não produz está "ideia", enferrujou.
Vejo por ai pessoas que só percebem injustiça quando acontece em sua direção. E que reclama do mundo e da vida e de Deus como se tudo que acontecesse na sua vida não fosse produção própria.
Vejo por ai pessoas que estão tão focadas em si mesmas que não enxergam, não ouvem e não veem sequer quem são o seus espectadores.
Vejo por ai pessoas que fazem tanta força para mostrar para o mundo que são isso ou aquilo que já não sabem mais quem realmente são e o que realmente sentem ou ainda com o que parecem.
Vejo que estamos todos muito perdidos, ninguém sabe o que quer, o que é ou o que espera.
Estamos rodopiando, ou andando em círculos, ou batendo pelas paredes como um siri na lata, sem saber por onde começar, continuar ou acabar.
Dormimos sãos e acordamos doentes. Tomamos o remédio sem saber porque, do que é e como se cura.
Todos nós procuramos onde não há nada e quando achamos nem sabemos o que era mesmo que estávamos procurando.
Vejo pessoas por ai e me vejo nelas também. Somos todos espelhos e parte de uma coisa única que corre em todos nós.
Por isso desejo a quem vejo por ai que ache sua felicidade porque assim poderei também beber um gole desta fonte e ser feliz também.



O meu hoje

Hoje eu queria me encostar em seu colo e desfrutar do som da sua pele, sentir a sua respiração, pulsar contigo, no mesmo ritmo, na mesma canção.
Hoje eu queria saborear seu beijo de café pela manhã para perceber que estou desperta.
Hoje eu queria sorrir das suas gracinhas e te ouvir me chamar de loooocaaaa só porque eu acho graça em tudo.
Hoje eu queria te fazer um carinho e descobrir um novo lugar de te fazer suspirar.
Hoje eu queria desfrutar da tua carne, aprender, te ensinar, dançar contigo a música que estivesse pronta para tocar, e te tocar.
Hoje eu queria que o tempo parasse de verdade, que não fosse só uma sensação, mas só se eu estivesse contigo.
Hoje eu queria te mostrar o quanto é bom ser amado, querido, desejado e perder a noção do que é dar e receber, apenas sentir o compartilhar na essência do que se é.
Hoje eu queria te olhar nos olhos e brilhar com eles.
Hoje eu queria te chamar de meu amor, te trazer para perto e sentir seu cheiro, seu gosto, sua presença, seu amor.
Hoje, que é o único dia que importa, eu queria que tudo que existe de belo, doce, apaixonado e lúcido chegasse até você, porque é assim que eu me sinto quando estou contigo.

Oração de uma menina querendo ser mulher

Que eu possa manter a lucidez depois de algumas taças de vinho!
Que eu possa me amar sem deixar de amar ao outro e amar ao outro sem deixar de me amar.
Que eu possa escolher sempre o que é saudável, honesto e puro.
Que eu consiga ver a verdade sem me enganar com aquilo que gostaria de ver.
Que a voz da intuição não se confunda com o medo, jamais!
Que eu saiba escolher e que possa conviver com a perda que toda escolha convém.
Que eu possa ver os sinais da vida e aprender com eles, mesmo que antes me sangrem quase até a morte;
Que a alegria de hoje seja uma constante, mas que, se não possa, que seja uma lembrança viva e inspiradora.
Que a motivação lúcida e forte possa ser sentida em meu coração, que eu não a despreze no momento que nasça tímida;
Que a sabedoria da vida possa agir e que eu, na minha ignorância latente, possa aceitá-la.
Que a minha ansiedade não atropele o tempo certo de todas as coisas, aquele tempo que amadurecem as coisas para que possamos desfrutá-las doces.
Que o amor passeie livremente, que possa ir e vir, e ficar e se manter ou não, mas que produza os sorrisos suficientes para hoje;
Que eu possa entender, de uma vez por todas, que hoje é o único dia que importa, que amanhã não existe ainda!

Amar sem razão, apenas amar

Me parece que quando existe uma  razão para amar, a ponderação convenceu de que amar aquele ser, naquele momento, era o mais certo.
Existe uma fortaleza em torno de um amor sem razão, apenas amar por amar e sem saber porque, amar simplesmente.
Então eu me utilizo de dois mestres para expressar o pensamento que me ronda hoje.
O Chico Buarque, em uma entrevista, citou Montaigne  e me ajudou demais. "Eu gostava dele porque era ele, porque era eu.
Seguiu Drummond, a me presentear com sua poesia. E assim, eu posso com toda licença e honra me utilizar deles para esvaziar-me hoje.

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer?
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar
também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa
marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto. o que é entrega ou adoração expectante, e
amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão sem ferro, e o peito inerte, e a rua
vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura
medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo
tácito, e a sede infinita.

Para isso me serve a poesia. Em momentos de buscar palavras para esvaziar minha alma, e a minha mente não é capaz de produzir o som que possa dar este grito. Eu me encontro com meus poetas preferidos e eles me convidam para um passeio de mãos dadas. "Vem menina, vou te contar uma história."

O amor não se explica, eu sei que é clichê, mas também é verdade. E eu sei que podemos racionalizar muitas coisas (sou perita nisso) mas como explicar racionalmente aquela sensação de graça?
Aquela vontade rir quando ele ri?
O ímpeto do carinho, a vontade de estar junto, o coração acelerando, a barriga gelando, a onda de calor que sobe e desce, a paz e a desordem convivendo dentro da gente? Quimicamente eu sei que se explica, mas o que desencadeia?
Como explicar a sensação de dia perfeito depois de ouvir um "eu te amo"? 

Só pode ser isso: Eu gosto dele porque é ele, porque sou eu.

As sem-razões do amor
Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.
Não precisa ser amante,
e nem sempre sabe sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


O que a vida quer da gente? Coragem!

Nunca é tarde para se mudar de ideia desde que a motivação seja a honestidade.
Existe uma coragem incontestável em alguém que desiste de se casar as vésperas de seu casamento. Pode ser também que o medo insuportável seja maior que a sua coragem, mas ainda assim ela não deixa de existir.
Imagino o quanto esta pessoa sofreu antes de tomar a decisão de desistir. Desistir é considerado inaceitável pelo mundo.
Que seja por medo ou por coragem, o que prevalece no fim é a honestidade. Aquele ser enfrenta todo o julgamento e consequências em troca da unica coisa que sabe, não quer entrar nessa, mudou de ideia.
Não há heróis no meio dos homens, há os honestos e os enganados, e eu me refiro aqui somente ao agente, porque a gente se engana demais e o tempo todo.
Uma grande parte das pessoas que nos ferem, o fazem sem consciência, fazem por não se conhecerem, fazem por se enganarem.
Então, hoje o meu mantra é para que eu seja lúcida o suficiente para não ferir ninguém com a minha ignorância, mas, se isso acontecer, que eu tenha coragem suficiente para ser honesta. Amém!

Sol de inverno

Era domingo, estava frio e o sol era de inverno. Ninguém poderia saber.
Naquele quarto apertado ela ardia, há dias não saia da cama, ardia.
O telefone tocava e aquele som apenas a fazia mover os olhos, do teto para a escrivaninha, não era curiosidade, era desprezo.
Ela só ardia, não podia sentir mais nada.
As palavras não vinham, era só aquela ardência subindo pela garganta  e descendo novamente, sem parar.
De repente um grito! E aquele som, aquela era a palavra que precisava, o som de um animal enjaulado se libertando.
Foi aquele grito que a libertou. Sentou na escrivaninha, as palavras estavam brotavam e assim foi correnteza até esvaziar-se.


Eu te amo, mas não gosto de você todos os dias!

Não é porque eu te amo que eu tenho que desejar estar com você todos os dias.
Haverá os dias de chuva, dias de fitar o branco do teto, dias de edredom solitário, dias de vinho com livro;
E haverá dias, e muitos, de nós dois, de acordar abraçados ou de mãos dadas, dias de dormir de conchinha (que eu adoro), dias de massagem a luz de velas, dias de amor e prosa; E dias que viram noites e madrugadas entre paixão, carinho e risadas.
Os dias não são iguais, mas não mudam o que eu sinto por você, isso, se mudar, é obra sua, minha ou do destino.
Porque amor é coisa que também se transforma e aquilo que ele se torna, pode não ser o que você ou eu, queremos para nós dois, mas isso é outra história.
Não sofra, amor, com o que ainda não existe, aproveite o dia, porque hoje é seu, meu e o de nós dois. Aproveite o melhor de hoje porque amanhã ainda não existe. E hoje eu sou toda amor para você!


Vai tomar banho, rapaz!

Então é coisa muito comum homem casado reclamando de sexo no casamento, piadinhas do tipo " quer deixar de transar, case" ahã...já ouvi em algumas mesas de bar por ai.
Só para equilibrar esta balança eu fui ouvir algumas mulheres casadas para entender um pouco melhor o que acontece, afinal de contas, sexo é bom e todo mundo gosta! Eu tenho um amigo que diz "Sexo até quando é ruim, é bom!" Adoro estas frases de efeito-defeito.
Rapazes existe uma unanimidade entre as mulheres que deve ser ouvida e muito. Banho é bom e homem cheiroso todo mundo gosta. Esse lance de gostar do cheiro e blá blá blá é uma vez ou outra, para o dia a dia, amigo, chega em casa e toma um banho, e , se não for pedir demais, não esquece aquele perfume que a sua mulher adora.
Temos milhares de revistas dizendo para as mulheres abolirem a calcinha bege, mas pouquíssimas, se é que tem alguma, falando pros caras se manterem desejáveis para as suas mulheres.
Uma das minhas fontes contou que o marido dorme sem tomar banho e que isso é desmotivador para ela, ou seja, broxante. Amiguinho, quer transar antes de dormir? Vai tomar um banho, queridinho!
É o mínimo de cuidado que um casamento exige, vamos combinar?
Temos outra reclamação das amigas casadas. O tempo.
É, sabe aquela partidinha de futebol que começa as 21h e termina as 23h? Pois é, ela pode broxar sua noite. Nada contra o futebol meu caros, é só um exemplo.
Sua mulher trabalhou o dia todo, muitas vezes com filhos, cuidou das crianças quando chegou, pensou no jantar, no pagamento da empregada, na lição de casa das crianças, no lanche do dia seguinte (ufa! Cansei só de pensar!) se você não for rápido e astuto, ela dorme antes de pensar em meia horinha de amor com você.
A palavra poderia ser estratégia, mas nos relacionamentos, isso se chama, cuidado, nada que um homem não conheça, já que na sedução ele sabe fazer tudo isso direitinho...
Hello, sua mulher ainda é aquela namorada que transava com você na cozinha, na sala, no carro, ela só precisa de seus estímulos para acordar. Os caras querem transar como na época do namoro, mas não querem ter o cuidado de tratar suas esposas como namoradas. Então, vai a dica. Se o seu casamento anda cambaleando no sexo e você assiste mais final de campeonato do que transa com sua mulher, talvez esteja na hora de pensar nas coisas que você fazia antes e que deixou perdido em algum tempo do relacionamento.
Alguns homens ainda tem a idéia (antiga) de que é a mulher quem deve manter acesa a chama da paixão, engano total. A responsa é de ambos. O relacionamento é de dois, toda a manutenção e bem estar gerado por ele deve ser prioridade dos dois participantes.
Eu também sou contra a calcinha bege, quero deixar bem claro!


Porque a distância real não é medida em quilometros, metros ou centímetros, a distância real é a do coração. Quando dois corações caminham na direção um do outro não há tempo nem espaço que faça a diferença.

O amor só não perdura na ilusão. E é bem maior do que contaram pra gente!

A sutileza do se relacionar

Existem movimentos e percepções tão sutis no relacionamento que até escrever sobre é tarefa que requer atenção e muito cuidado.
As vezes é apenas um olhar vazio de um brilho que você conhece, mas que simplesmente não está mais ali. Este vazio é o sutil te enviando uma mensagem.
Pode acontecer também o contrário, um olhar que muda de intenção sem que ainda a intenção consciente tenha sido notada, uma doçura no olhar que toca o mais íntimo do seu ser, numa linguagem que a sua mente não é capaz de entender. É o sutil que está anunciando o que está por vir, mas, silenciosamente.
O nosso ser tem muitas formas de se expressar além dos cinco sentidos, ocorre que ainda não aprendemos a utilizar todas as habilidades de que somos capazes. Observar o sutil, aprender com ele, sentir que está sendo requerido, perceber quando ele é essencial e quando está acontecendo, é uma questão de prática, de vontade e de maturidade.
Somos o tempo todo bombardeados por manifestações tão evidentes e alegóricas que ficamos destreinados a ouvir o som quase silencioso da sutileza.
Algumas vezes o que acontece é que na manifestação normal, a dinâmica do relacionamento praticamente não mudou, mas a sutileza está anunciando que algo novo está acontecendo, as vezes é o que une, outras é o que separa.
Gestos e sensações sutis são perceptíveis a olhares atentos, sensíveis e interessados. Há que se manter a atenção e interesse dos primeiros encontros ao longo da relação, pois da mesma forma que ali no começo há uma vontade verdadeira de conhecer o que te encanta, as metamorfoses que ocorrem ao longo de uma relação transformam e alteram aquele que um dia te encantou.
Somos um universo inteiro, cada um de nós. Não é complicado, na verdade é bem simples. Somos um universo inteiro e olhar para o outro com esta consciência, respeitando a grandeza deste todo já é um bom começo.

Pensamentos desconexos

Da série "Coisas que ouço por ai", que na verdade, não são por ai...


Coisas que ouço por ai: Eu já ouvi tanto juramento que foi quebrado, tanta promessa que não foi cumprida, que hoje, a única coisa em que eu acredito invariavelmente, são atitudes. E mesmo assim, uma atitude no passado não sustenta a verdade eternamente, há que se agir de tempos em tempos com alguma coerência para que o sentido não se perca com o tempo.


 Amizade, confiança, afinidade e amor nascem espontaneamente, não adianta forçar, exigir, cobrar ou dar querendo receber em troca. Estes sentimentos não barganham, ou nascem ou não nascem. Sua expectativa em relação a eles é problema somente seu.


Você não precisa me entender, sequer precisa concordar comigo ou gostar de mim, mas sim respeitar as diferenças e não julgar o que não conhece, respeito é bom e todo mundo gosta!


 Grande parte do sofrimento é proporcional a importância que se dá a opinião alheia sobre questões que dizem respeito, exclusivamente, a si próprio!


O que toda mulher quer é ser uma das prioridades na vida do homem que ela ama.

A escolha nossa de cada dia

Cada um oferece aquilo que tem, mas somos nós e, apenas nós mesmos, que temos o poder de escolher aquilo que queremos perto da nossa vida.
Colher batatas numa amoreira não dá!

Pensando sobre a morte

A morte faz parte da vida, mas saber disso não nos impede de sofrer a perda, de sentir saudade e de chorar até que a tristeza se esvazie, até que ela se acomode em algum canto do nosso coração e nos permita sorrir novamente.