A morte

Aproveite o dia de hoje para ver a inevitabilidade da morte.

Lembre das pessoas com quem você convive no dia a dia, colegas do trabalho, cada amigo querido, cada uma das pessoas na família (pais, filhos, irmãos...), cada um daqueles a quem queremos bem, aqueles com quem temos dificuldades, aqueles que ignoramos.

Então, contemple cuidadosamente os quatro fatos a seguir:

A morte virá, ela é inevitável.

Todos morrerão.

Seu tempo de vida está diminuindo a cada momento.

A quantidade de tempo que você tem para dedicar ao cultivo da felicidade genuína e florescimento humano é muito pequeno.

Conclusão: a gente deveria usar a vida da maneira mais sábia possível.

(Esse é um trecho da prática "Lembrar da morte", disponível dentro do lugar.)


O que é a felicidade genuína? Eu prefiro o termo “florescimento humano”, que é uma tradução da palavra grega eudaimonia. A tradução mais comum é “felicidade genuína”, mas “florescer” é mais apurado. Assim como a noção budista de “sukkha” e “ananda” – felicidade/ alegria em Hindu, florescer é uma sensação de felicidade que está além das vicissitudes momentâneas do nosso estado emocional.  E no que esta felicidade implica? Em uma vida significativa.
O que torna uma vida significativa? Eu considero todos os dias, não apenas a vida como um todo. Eu olho para quatro ingredientes:
Primeiro, foi um dia de virtude? Estou falando de ética budista básica, evitando um comportamento prejudicial ao corpo, fala e mente, nos dedicando a um comportamento saudável e qualidades como a consciência e a compaixão.
Em segundo lugar, eu gostaria de me sentir feliz ao invés de extremamente infeliz. Os seres realizados que conheci são um exemplo de estados extraordinários de bem-estar, e mostram isto em seus comportamentos, suas maneiras de lidar com as adversidades, com a vida e com outras pessoas.
E em terceiro lugar, a busca pela verdade, procurando compreender a natureza da vida, da realidade, das relações interpessoais ou a natureza da mente. Mas você pode fazer tudo isso sentado tranquilamente em uma sala. Nenhum de nós existe de forma isolada. No entanto, para que haja um quarto ingrediente,  uma vida significativa também deve responder à pergunta:  “Se eu puder olhar para o dia e ver que a virtude, a felicidade, a verdade  e uma  vida altruísta foram fundamentos salientes, eu posso dizer : “Sabe, eu sou um campista feliz .” Buscar a felicidade não depende do meu talão de cheques, do comportamento do meu cônjuge, do meu trabalho  ou do meu salário. Eu posso viver uma vida significativa mesmo que só me restem dez minutos…
Então a saúde física não é um ingrediente necessário? Nem um pouco. Um dos meus ex-alunos tem uma doença muito rara, e todos os dias ele vai para o hospital para fazer diálise e tratamento medicamentoso – o que irá fazer pelo resto de sua vida. Você poderia dizer: “Bem, isso é uma tragédia, uma situação sombria.” Mas da última vez em que falei com ele, ele disse: “Alan, eu estou florescendo.” E ele estava. Ele encontrou uma maneira dentro dos parâmetros muito limitados sobre o que estava disponível para ele. Sua mente está clara. Ele está lendo, crescendo, meditando,  ensinando a meditação para outros doentes terminais em seu hospital. Ele está vivendo uma vida muito significativa em que ele pode dizer, honestamente, que está florescendo.
Qual é o segredo dele? Ele não está procurando a felicidade fora de si mesmo. Quando dependemos de coisas como emprego, um cônjuge ou dinheiro para nos satisfazer, estamos em uma situação infeliz, porque apostamos em algo externo. Além disso, outras pessoas estão competindo pela mesma coisa, e essa “coisa” não é infinita. Esta é a má notícia.
E a boa? A boa notícia é que a verdadeira felicidade não está lá fora, no mercado para ser comprada ou conseguida através do melhor professor disponível. Um dos segredos mais bem guardados é o de que a felicidade pela qual nos esforçamos  tão desesperadamente  através de nosso  cônjuge perfeito, nas crianças formidáveis, no trabalho agradável, na segurança, na saúde excelente e na boa aparência sempre esteve em nosso interior e está apenas esperando para ser revelada . Saber que o que estamos procurando vem de dentro muda tudo. Mas isso não significa que você não vai ter um cônjuge, um carro ou um trabalho satisfatório e sim que você está florescendo. Sua felicidade não depende tanto de eventos externos, pessoas e situações que estão além de seu controle.
Todos já ouviram falar que a riqueza não compra felicidade, mas poucos vivem como se isso fosse verdade. Em um grau mais profundo,  duvidamos disso e tentamos repetidamente assumir o controle de nosso ambiente externo e extrair dele as coisas que achamos que vai nos fazer felizes: posição social, sexo, segurança financeira e emocional. Eu acho que muitas pessoas em nossa sociedade desistiram de buscar a felicidade genuína. Elas perderam a esperança de encontrar a felicidade, a satisfação e alegria na vida. Elas pensam: “Bem, a verdadeira felicidade parece não estar disponível, então eu vou me contentar com um aparelho de som melhor.” Ou elas estão apenas sendo levadas: “Esqueça o prazer. Eu vou apenas tentar sobreviver a este dia.”
Isto é muito trágico.
Isso soa como depressão. É um estado em que o espaço da mente se comprime e perdemos a visão. Eu penso na benignidade – o primeiro dos “Quatro Incomensuráveis”  ou das “Quatro Moradas Divinas” – como uma busca da visão. Na prática tradicional  maitri (sânscrito para benignidade) você começa com benignidade para si mesmo. Isso não significa “Que tipo de  trabalho bom eu poderia ter? Quanto dinheiro eu poderia conseguir? ” e sim em “Como eu  posso florescer? Como posso viver de forma que eu encontre verdadeiramente um significado gratificante, feliz e rejubilante? ” E como você imagina isso para si mesmo, você amplia este sentimento para fora: “Como pode  que as outras pessoas estejam sofrendo para encontrar a felicidade genuína? “
Shantideva disse: “Aqueles que desejam escapar do sofrimento se apressam indo diretamente em direção a ele. Pelo próprio desejo de felicidade, pela ilusão, eles destroem a própria felicidade como se ela fosse um inimigo”Por que é assim? Por que não adotamos uma vida de virtude que nos traga a verdadeira felicidade que tanto desejamos?  Isto remete à  ideia de que somos tolos em relação ao que realmente nos traz a felicidade que buscamos. Pode ser que leve muito tempo até que percebamos o que está acontecendo, porque nos tornarmos tão obcecados pelo símbolo, pela imagem, pelo ideal, pela construção mental…”Se eu tivesse este cônjuge, este tipo de trabalho, esta quantia de dinheiro..se as pessoas me respeitassem a este ponto, se eu tivesse esta aparência.. “
É ilusão. Todos nós conhecemos pessoas que têm boa saúde, amor, fama e riqueza  e, ainda assim, são miseráveis. Estas pessoas são alguns dos nossos maiores mestres. Eles nos mostram que você pode ganhar na loteria e perder na loteria da vida, em termos de busca da felicidade genuína.
Se alguém se aproxima do caminho da prática budista  com uma forte ênfase negativa e com a ideia de que o nirvana é apenas livrar-se das coisas, então, à primeira vista, nirvana pode parecer muito chato. Mas nirvana não é apenas erguer-se para o neutro ou para o “nível normal de infelicidade de Freud.”  É muito mais do que isto. E é aí que entramos em contato com esta questão do nosso estado habitual dukkha, de estar insatisfeito, ansioso. Mas a premissa budista, que é extremamente inspiradora , é que o que é verdadeiramente” habitual” é o seu estado natural de consciência, a base da consciência. Esta é uma fonte de felicidade e pode ser descoberta, começando com as práticas meditativas como shamata, a clarificação da atenção e de se conscientizar sobre como as coisas realmente são. A questão toda do Buda-Darma é de que a libertação não vem pela crença no conjunto de princípios corretos ou de afirmações dogmáticas, ou necessariamente, comportando-se da maneira certa. É um “insight”, é sabedoria, é entender a natureza da realidade. E só a verdade nos libertará.
Quando você diz “verdadeira felicidade”, a insinuação é de que existe um outro tipo. Sim. Confundimos o que os budistas chamam de ”As oito preocupações mundanas” com a verdadeira busca da felicidade: a aquisição de riqueza e de não perdê-la; a aquisição de prazeres de estímulo rápido para evitar a dor;  enaltecer e evitar o abuso ou o ridículo e o desejo de uma boa reputação, temendo o desprezo ou a rejeição.  A questão a ser mencionada aqui é a de que não há nada de errado com as coisas do lado positivo. Pense nisso: você seria uma pessoa melhor se não estivesse usando este suéter? Não. Não há nada de errado com aquisições, mas há algo de errado em pensar que elas lhe trarão felicidade. A felicidade genuína consiste simplesmente em dar uma “chacoalhada” nas  verdadeiras causas da felicidade ao invés de coisas que podem ou não catalisá-las. E isto é, basicamente, a diferença entre perseguir o darma e as ”As oito preocupações mundanas”. Algumas pessoas realmente meditam para obedecer as ”as oito preocupações mundanas”, apenas pelo prazer que eles adquirem ao meditar. Eles estão encarando a meditação como quem toma uma xícara de café, ou como quem faz uma corrida ou uma massagem. Isto não é ruim ou errado, mas é muito limitado. A meditação pode fazer algo que uma boa massagem não pode. Ela pode realmente curar a mente.
Em “Genuine Happiness”, você escreve: “Quando estamos passando por alguma insatisfação ou depressão sem uma causa externa clara, quando não há problemas de saúde, problemas no casamento ou outra crise pessoal, poderia ser este um sintoma ou uma mensagem vinda, para nós, através de um nível mais profundo de sobrevivência biológica? Como deveríamos responder? Os antidepressivos querem dizer, basicamente “Cale a boca, eu quero fingir que você não existe.” Mas o que este sentimento está nos dizendo? ” Você pode falar sobre isso? O que estamos falando aqui é dukkha, não no sentido de  “eu me sinto miserável porque eu perdi algo que era precioso para mim” ou “eu não consegui algo pelo qual eu tinha verdadeira paixão” e sim esta camada mais profunda do sofrimento que é não referencial e nem orientada por estímulo. Há momentos em que, mesmo na ausência de estímulos desagradáveis​​, você ainda tem uma sensação de desconforto, de depressão, de inquietação, de que algo não está certo, mas você não consegue identificar o que é. Este é um dos sintomas mais valiosos que temos da disfunção subjacente de nossas mentes. Uma vez que você sentir que está se prendendo a isto, talvez você diga: ” Eu não gosto desse sentimento  e  vou  encobri-lo. Eu vou me perder no trabalho, na diversão, nas bebidas e nas drogas.” Esta sociedade é a mais habilidosa na história  em abafar esta sensação básica de mal-estar.
Nós estamos dentro de uma fadiga química. Eis aqui um sintoma de uma vida que não está funcionando muito bem, de uma mente que está propensa a desequilíbrios e aflições, e ao invés de usarmos isto como um sintoma de boas-vindas, nós basicamente matamos o mensageiro. A indústria farmacêutica diz que, se você se sentir ansioso, deprimido, triste ou com raiva, é por causa de um desequilíbrio químico no cérebro. “Use  o nosso medicamento prescrito e isso vai fazê-lo feliz.” A desvantagem destes medicamentos é que muitas pessoas pensam que as más experiências têm, essencialmente, uma base material, onde um desequilíbrio químico é a origem da causa. Em outras palavras, a “Segunda Nobre Verdade,”  a causa do sofrimento, é o desequilíbrio químico no cérebro e, portanto, a cessação do sofrimento significa que ele deva ser anestesiado. O que isto está fazendo é disfarçando o nosso compromisso com a realidade ao invés de chegar às raízes da depressão e da ansiedade. O que você está enfrentando é a “Primeira Nobre Verdade”. E Buda diz: ” Não basta fazê-lo calar a boca, mas reconhecê-lo, compreendê-lo.” Este é o início do caminho para a felicidade.
 Os existencialistas entenderam que estamos perseguimos a felicidade em vão. Como os budistas se diferem? No budismo , buscar a felicidade não é apenas se afastar de algo – a aquisição de objetos – mas mover-se em direção a outras, como a prática do darma. É desembaraçar-se das fontes reais do dukkha , que são internas , e mover-se em direção a uma liberdade maior, um bem-estar mental, um maior equilíbrio e significado. Na filosofia existencialista, isto refere-se a “viver autenticamente.” Afastar-se das verdadeiras fontes do dukkha em direção às verdadeiras fontes de felicidade  é , basicamente, toda a psicologia budista colocada ali mesmo.
Temos uma percepção equivocada de que se conseguirmos que tudo funcione bem,  encontraremos a felicidade que buscamos. Então chega um momento em que você diz: “Sei. Isto nunca funcionou. Não está funcionando agora e nunca vai funcionar no futuro.” Isso é o que muitos filósofos existencialistas reconheceram. Camus, Sartre… eles se referem à vaidade,  futilidade e insignificância  fundamental. O budismo, como os existencialistas, vê a vaidade, a futilidade e o vazio das ”As oito preocupações mundanas”. Mas não basta dizer: “Eis  um problema e não há nada que possamos fazer sobre isto.” Ele diz: “Estas são as preocupações mundanas, e depois há o darma. Ter um pouco de fé seria útil, mas se não há mais nada, você ainda tem a prática “
Você argumenta que a prática nos mantém no mundo e isto é um grande desafio. Por exemplo, muitos de nós vemos o noticiário e é fácil ficar bem deprimido. Como podemos ficar no jogo sem sermos derrubados por ele? A primeira coisa é reconhecer que nem todas as notícias estão aptas para serem impressas ou transmitidas. Elas estão acontecendo em um contexto 100% comercial. Eles estão transmitindo estas notícias porque estão sendo pagos por seus anunciantes. E eles estão nos dando as notícias que vendem, que eles acham que as pessoas gostariam de assistir. É uma fatia muito seletiva sobre o que está acontecendo. Isso não quer dizer que não existam pessoas na mídia tentando prestar um serviço público, mas o próprio sistema é comercialmente direcionado. No budismo, dizemos que sim, há um oceano de sofrimento. Portanto, não é ruim mostrar que há raiva, ódio, ilusão e ganância no mundo. De certo modo, a mídia está apresentando alguns fatos muito importantes, tendo em conta que podemos olhar para as diferentes respostas emocionais em nós mesmos. Podemos sair da rotina do nosso cinismo, depressão, raiva e apatia cultivando os “Quatro Imensuráveis​​.” Quando vemos o sofrimento e as causas dele,  então é hora de compaixão.
Quando vemos as pessoas se esforçando diligentemente para encontrar a felicidade, é um momento de benignidade. Essa rara compreensão onde eles mostram algo maravilhoso que tem acontecido é um momento de alegria para a mudita –  para a alegria empática, pela alegria  da felicidade de outras pessoas e pela virtude. E, então, há as circunstâncias como os desastres naturais. Quando vemos que existem pessoas responsáveis ​​e instituições que fazem o seu melhor para aliviar o sofrimento, podemos decidir manter a equanimidade e, em seguida, realizar a  prática do tonglen (dar e receber): levar embora o sofrimento do mundo e oferecer de volta a alegria e suas causas. Os “Quatro Imensuráveis” ​​são maneiras extraordinariamente poderosas de se envolver com a realidade. E eles se equilibram. Eles são como os Quatro Mosqueteiros: quando alguém se perde, os outros saltam e dizem: “Eu posso ajudá-lo.”
Então, se você está sentindo indiferença ao invés de equanimidade, a compaixão vai equilibrar isto?Precisamente. Ou se você se encolheu e se atracou à ansiedade, então este é um momento de equanimidade.
Esta rota alternativa para a felicidade parece exigir um salto de fé, e isso pode ser assustador. Se eu me livrar de todas as aparências, o que será de mim? Nós não precisamos saltar para o fundo do poço. Os tibetanos chamam isso de “renúncia cabeluda.” É como se de repente estivéssemos apaixonados e disséssemos:  “Ah, toda a sociedade é um abismo de fogo ardente. Eu não posso suportar isso. Eu vou sair para o êxtase de praticar o budismo.” É chamado cabeludo porque é melhor eu raspar minha cabeça para mostrar que eu estou falando sério. Então, é claro, em um ou dois dias ou em algumas semanas, você diz: “Isto não é muito divertido…e onde é que está a namorada que eu deixei para trás, mesmo?” É como uma folia. Então, o que é necessário não é um abandono repentino , abrupto e total dos oito darmas mundanos (”As oito preocupações mundanas”) e a prática apenas do darma sublime. É como jogar uma criança na água para ensiná-la a nadar: você não vai arremessar a criança no fundo da água e ver o que acontece. Você vai levá-la primeiro para a parte rasa.
Então, tente um período de teste . Tente uma sessão de meditação pela manhã e outra à noite. Veja como isso afeta o resto do seu dia. Então, quando você começar a ter um gostinho do dharma, você pode dizer: “Bem, isto está realmente tocando meus recursos internos. Isto é bom. E não é apenas bom, é também virtuoso. E mais: estou interagindo com a realidade de forma mais clara do que eu estava no passado. Se eu quiser trazer algo de bom para o mundo , eu estou em uma posição melhor para fazê-lo.”  É uma mudança gradual nas prioridades até que finalmente o seu desejo primário, o seu valor mais alto, seja o de  viver uma vida significativa , dedicando-se ao darma . As “Oito Preocupações Mundanas,”  elas  vêm e vão. Na verdade, quando estão lá, elas podem até mesmo apoiá-lo em sua vida.
Como um combustível para a usina? Elas não são necessariamente um combustível para a usina, mas a adversidade nos fornece uma oportunidade se não houver um compromisso sensato com ela. Por exemplo, um dos maiores obstáculos para uma vida significativa é a arrogância. Bem, é realmente difícil ser arrogante quando você está em uma grande adversidade . Então, existe este mal-estar sobre o qual temos falado, se observarmos que, com sabedoria, podemos despertar a nossa curiosidade ou até mesmo buscar um poderoso incentivo para uma transformação, para podermos arrancar as causas que deram origem a tal aflição. Se você já passou por um terrível conflito interpessoal, uma perda ou uma crise financeira, por exemplo, você pode olhar para isto e dizer: “Como isto aconteceu? O que eu fiz para contribuir com isto? E por que eu estou sofrendo tanto agora?” Estas são mensagens, sintomas de uma discórdia subjacente, um desligamento da realidade, um escape para a ilusão, o ódio e o desejo. Eu acho que os “Três Venenos” são tão importantes para a compreensão da situação humana como as três leis de Newton são para a compreensão do universo físico. E quando você vê o quão importante é o darma  em face da adversidade, então ele se torna uma prioridade. Você deixa que ele  sature a sua vida. É quando o darma realmente revela seu poder: quando ele não está confinado a uma sessão de meditação aqui ou ali.
 O que me leva à sua visão de que o auge da prática do Buda não foi a iluminação sob a árvore de Bodhi e sim o serviço prestado aos outros. Eu acredito que Buda alcançou algo absolutamente extraordinário sob a árvore Bodhi , mas reconheceu que, se este evento era para ser tão significativo quanto possível , tinha que ser compartilhado com os outros. A iluminação não é algo apenas para si mesmo: ” Agora eu tenho as coisas boas, e, portanto, finalizei por aqui.”
Civilizações inteiras foram transformadas pela presença deste homem, mas não foram  apenas os 49 dias sentado debaixo da árvore de Bodhi que fizeram isto. Foram os 45 anos seguintes,  envolvendo-se com cortesãs, mendigos, reis e guerreiros – toda a gama da sociedade humana – e tendo algo a oferecer para todos. Então, se voltarmos aos quatro aspectos de uma vida significativa, o que aconteceu sob a árvore de Bodhi é claramente o ponto culminante da virtude, da felicidade e da verdade. E pelos próximos 45 anos ele esteve lá fora, trazendo algo de bom para o mundo. Então, eu diria que Buda é o paradigma de uma vida significativa.
 B. Alan Wallace

A vida é um sopro

Depois de sentir raspando o beijo da morte, tudo fica menos pesado. Eu já havia esquecido...
Uma pena que esquecemos, e que deixamos a sensação de viver a vida estando presentes.
No turbilhão de emoções perturbadoras nos deixamos levar para o esquecimento de quão rara e passageira é a vida.
Gente, a vida é um sopro, um trem bala, um raio. Tão rápido quanto podemos imaginar ela passa.
Perdemos nosso tempo tentando controlar, tentando nos proteger, tentando segurar um cometa.
Gente, a vida é um sopro!
Segurar, segurar, segurar... o que?
Nada aqui é permanente. Aqui tudo é efêmero, exceto o que vem do coração. O amor que damos e recebemos é perene. É a unica coisa que realmente vale a pena.
Hoje eu me senti uma grande boba, dando corpo a emoções que são tão fixas quanto as nuvens do céu. Hoje, diante da fragilidade da vida eu me encontrei lúcida como quem encontra a morte.
Das coisas mais valiosas, um abraço dado a partir do coração. Um carinho, um afago que nasce do desejo sincero de só te encher o coração de alegria.
É isso que importa nesta vida fugaz. O resto são detalhes que colocaram na mente da gente.
Gente, a vida é um sopro!
Que possamos nos amar mais, apenas isso.
É o que eu desejo para você, para mim e para toda a gente.

Para você que me inspira

Para você que me inspira os dias, as práticas, as palavras, a poesia;
Para você que que se expressa no silêncio da face e me inspira a ouvir na mansidão;
Para você de voz calma e palavras tão generosas;
Para você que em meio à minha confusão não se perde da sua verdade; e assim me lembra da minha própria;
Para você que sorri diante da minha alegria e se mostra tocado pela minha humanidade sem me julgar.
Para você que acolhe tão carinhosamente a minha flutuação, e assim mesmo sem querer, me convida a observação dos meus condicionamentos;
Para você que não se corrompe diante dos apelos do meu ego, me ajudando assim a perceber que são nuvens que passam, e realmente passam;
Para você que não me tira nada, mesmo quando seria tão fácil tirar, já que a porta está destrancada para você;
O que emerge depois do encontro, o que é verdadeiro e nunca se vai é a sensação de gratidão pela disponibilidade no presente, que eu ainda estou aprendendo, mas que para você é tão natural quanto caminhar para chegar em um ponto.
Da sua sobriedade pragmática à sua silenciosa reflexão, eu aprendo você;
Da sua vibração mansa à sua gentileza naturalmente expressiva, eu aprendo a receber você;
As melhores relações são as que nos ensinam, independente da vontade, ensinam porque chegou a hora de praticar a vida, doce, ácida ou apimentada, mas a vida em toda a sua beleza e todo o desafio que ela é.
Gratidão Ser Livre, por aceitar e me dar a honra desta dança.

Sobre o prazer e a felicidade

Apesar de ser intrinsecamente diferente da felicidade, o prazer não é inimigo dela.
Tudo depende da maneira como é vivido.
Se o prazer está contaminado com um forte desejo e impede a liberdade interior, dando origem à avidez e dependência, é um obstáculo à felicidade.
Por outro lado, se é vivido no momento presente, num estado de paz interior e liberdade, o prazer adorna a felicidade sem obscurecê-la.
Uma experiência sensorial agradável, seja ela visual, auditiva, tátil, olfativa, seja gustativa, não estará em oposição a sukha* a menos que esteja maculada pelo apego e gere avidez ou dependência.
O prazer torna-se suspeito quando provoca uma necessidade insaciável de repetição.
Por outro lado, quando é vivido perfeitamente no instante presente, como um pássaro que cruza o céu sem deixar nenhum rastro, o prazer não aciona nenhum dos mecanismos de obsessão, sujeição, fadiga ou desilusão que costumam surgir quando experimentamos essas sensações.
O desapego, como sabemos, não é uma rejeição, mas uma liberdade que prevalece quando deixamos de nos atar às causas do sofrimento.
Em um estado de paz interior, com conhecimento lúcido de como funciona a nossa mente, um prazer que não obscurece sukha não é indispensável nem temível.
Matthieu Ricard
* sukha: (sânscrito) êxtase espiritual.

Tashi delek བཀྲ་ ཤིས་ བདེ་ ལེགས Que absolutamente todos os Seres Sencientes possam se beneficiar destes ensinamentos.

Um sonho

A música me faz lembrar do encantamento, dos pequenos milagres, dos encontros que nascem na essência. Pela música eu viajo, através dela eu chego no coração, no meu, no seu e no coração de todas as coisas.
Não há dia ruim se começar pela música certa.
Essa eu poderia ter escrito, porque conta um dia da minha história, como se o autor estivesse lá  testemunhando este grande sonho que é viver. Sonho bom é sonho que se sonha junto.


Estão comendo o mundo pelas beiradas
Roendo tudo, quase não sobra nada
Respirei fundo, achando que ainda começava
Um grito no escuro, um encontro sem hora marcada

Ontem eu tive esse sonho
Nele encontrava com você
Não sei se sonhava o meu sonho
Ou se o sonho que eu sonhava era seu

Um sonho dentro de um sonho
Eu ainda nem sei se acordei
Desse sonho, quero imagem e som
Pra saber o que foi que aconteceu

Hoje de manhã eu acordei
Sem imagem e sem som

Estão comendo o mundo pelas beiradas
Roendo tudo, quase não sobra nada
Respirei fundo, achando que ainda começava
Um grito no escuro, um encontro sem hora marcada

Ontem eu tive esse sonho
Nele encontrava com você
Não sei se sonhava o meu sonho
Ou se o sonho que eu sonhava era seu

Um sonho dentro de um sonho
Eu ainda nem sei se acordei
Desse sonho quero imagem e som
Pra saber o que foi que aconteceu

Hoje de manhã eu acordei
Sem imagem e sem som

Um sonho dentro de um sonho
Eu ainda nem sei se acordei
Desse sonho quero imagem e som
Pra saber o que foi que aconteceu

Ontem eu tive esse sonho
Nele encontrava com você
Não sei se sonhava o meu sonho

Ou se o sonho que eu sonhava era seu

Um norte chamado compaixão

"Na compaixão você simplesmente dá. No amor, você fica agradecido porque o outro lhe deu algo. Na compaixão, você fica agradecido porque o outro levou algo de você; você está agradecido porque o outro não lhe rejeitou. Você veio com energia para dar, você tinha vindo com muitas flores para partilhar, e o outro lhe permitiu, o outro foi receptivo. Você é grato porque o outro foi receptivo.

Compaixão é a forma mais elevada do amor. Muito retorna – um milhão de vezes mais, digo – mas isso não é o mais importante, você não anseia por isso. Se isso não vier não há nenhuma queixa quanto a isso. Se vier você fica simplesmente surpreso! Se isso vier, é inacreditável. Se não vier não há problemas – você nunca deu seu coração a alguém por alguma barganha. Você simplesmente derrama porque você tem. Você tem tanto que se você não derramar você ficará sobrecarregado. Assim como uma nuvem carregada de água de chuva precisa derramar. E da próxima vez quando uma nuvem estiver chovendo observe em silêncio, e você irá sempre ouvir, quando a nuvem derramou a chuva e a terra a absorveu, você irá sempre ouvir a nuvem dizer para a terra “Obrigado”. A terra ajudou a descarregar a nuvem.

Quando uma flor brota, ela precisa compartilhar sua fragrância com os ventos. É natural! Isso não é uma barganha, não é um negócio; é simplesmente natural! A flor está repleta de fragrância – que fazer? Se a flor mantiver a fragrância para si mesma então a flor se sentirá muito tensa, numa profunda angústia. A maior angústia na vida é quando você não pode expressar, quando você não pode comunicar, quando você não pode compartilhar. O homem mais pobre é aquele que não tem nada para partilhar, ou tem alguma coisa para partilhar, mas perdeu a capacidade, a arte, de como compartilhá-la; assim um homem é pobre.

O homem sexual é muito pobre. O homem amoroso é comparativamente mais rico. O homem compassivo é o mais rico; ele está no topo do mundo. Ele não tem nenhum confinamento, nenhuma limitação. Ele simplesmente dá e prossegue em seu caminho. Ele nem mesmo espera que você diga um obrigado. Com tremendo amor ele compartilha sua energia. Isso é que chamo de terapêutico.

Buddha costumava dizer aos seus discípulos, “Após cada meditação, sejam compassivos – imediatamente – porque quando você medita, o amor cresce, o coração fica repleto. Após cada meditação, sinta compaixão pelo mundo inteiro para que você compartilhe seu amor e você libera a energia na atmosfera e essa energia pode ser usada pelos outros”.

Eu também gostaria de dizer isso a vocês: Após cada meditação, quando vocês estiverem celebrando, tenham compaixão. Apenas sinta que sua energia deve ir e ajudar as pessoas de qualquer maneira que elas necessitem. Apenas libere-a! Você ficará descarregado, você irá se sentir bem relaxado, irá se sentir muito calmo e quieto, e as vibrações que você liberou ajudarão a muitos. Termine suas meditações sempre com compaixão.

E a compaixão é incondicional. Você não pode ter compaixão só por aqueles que são amigáveis com você, só por aqueles que estão relacionados a você. Compaixão inclui tudo... intrinsecamente tudo. Assim se você não pode sentir compaixão pelo seu vizinho, então esqueça tudo sobre meditação, porque isso não tem nada a ver com alguém em particular. Tem algo a ver com seu estado interior. Seja a compaixão! Incondicionalmente, não direcionada, não endereçada. Assim você se torna uma força curativa nesse mundo miserável."

Osho, A Sudden Clash of Thunder,

Dos conceitos e da aparência

"A descrição não é o descrito. Eu posso descrever a montanha, mas a descrição não é a montanha, e se você ficar preso na descrição, como a maioria das pessoas fica, então você nunca verá a montanha". 
Krishnamurti

Da expectativa

Ninguém, absolutamente, ninguém nasceu para satisfazer a sua expectativa. Acontece que às vezes, desejos coincidem. O ato do outro tem como consequência a sua satisfação. 
Não se apegue nisso. É um fenômeno, não é uma regra. 
Agradeça, mas não se apegue.
Desfrute o presente, mas não se apegue.
O apego é que causa o desconforto, quando não se repete aquilo que você havia gostado, é o desejo por ter a mesma satisfação que te maltrata a garganta com aquele nó.
Observa. Há frustração porque havia expectativa.
Então, não se apegue. É só um fenômeno humano. 

Do amor e essas coisas

Em matéria de relacionamentos não existe vítima e nem algoz, somos co-criadores. Juntos desenhamos o cenário em que a relação se manifesta.
Juntos desejamos e juntos rejeitamos. Cada um com sua quota de consciência ou de inconsciência, de apego, de condicionamentos, de expectativas e desejos. É uma construção a dois. Com sorte, maturidade e muita conversa, construímos o mesmo projeto e com a mesma matéria prima, invariavelmente, infelizmente, cada um está construindo para si. No final o que se forma, não cabe para nenhum.
Como expressar suas necessidades sem medo?
E se sente medo...
De onde nasce o medo?
Em que você está se agarrando?
O que ou qual partes de você emergem a partir deste encontro? Qual o valor ou o peso do que você anda carregando para sustentá-lo?
-Onde há desconforto, aí pouse sua atenção por alguns minutos.
Coloque cada coisa num prato dessa balança. 
O que será realmente tão importante que  te mantém ali? 
Que tipo de experiência você está vivendo, de amor ou de desamor? Está vivendo aquilo que precisa ou o que deu para encontrar? Que tipo de relação é essa? De paz ou de medo? De liberdade ou de dependência? De vida ou de dor? 




O significado do Leão


Majestoso e poderoso, o leão é um símbolo solar e luminoso. Rei dos animais, traduz sabedoria, poder e justiça, mas também orgulho, domínio e segurança.
Nas várias culturas religiosas do mundo, o leão está também associado à figura do pai, do mestre, do chefe ou do imperador, que pode ser protetor ou tirano. Por isso, é comparado a Krishna na literatura épica indiana, a Buda e a Cristo, chamado de Leão de Judá. No Islão, o leão de Alá é Ali, genro de Maomé, e na literatura cristã os anjos são os leões porque transportam e transmitem a palavra divina, ao mesmo tempo que preservam os segredos de Deus como o leão apaga o rasto das suas patas quando é perseguido.
No Livro do Apocalipse, o trono de Deus é guardado por um leão e, em Ezequiel, o carro de Jeová é conduzido por animais fantásticos de quatro caras, uma das quais com o aspecto de leão. As armas da Índia têm a esfinge de três leões simbolizando o triunfo da verdade. 
Os leões são um símbolo de realeza e eram representados montados por heróis, reis e deuses, ou junto aos seus tronos. Salomão tinha o seu trono ornamentado por um leão como também acontecia com a realeza francesa.
O trono de Buda era representado por um leão e a força da Shakti, a energia divina feminina, era comparada à força do leão. O leão é símbolo de justiça e de lei divina que se projeta no espaço e no tempo de forma constante e absoluta.
Entre os hindus, o leão é um dos aspetos da deusa Maya na manifestação do seu Verbo, mas também representa a avidez e o apetite incontrolado quando é pisado por Shiva. Para os africanos, o leão simboliza a sabedoria divina e no antigo Egito eram representados aos pares de costas um para o outro, um virado para Ocidente e outro para Oriente. No Extremo Oriente, o leão está nas suas qualidades associado ao dragão, sendo um protetor das energias negativas. No Japão, as danças do leão celebram o início do novo ano, afastando a desgraça e trazendo a saúde e a felicidade. Enquanto quinto signo do Zodíaco, o leão é regido pelo Sol e simboliza a alegria de viver, o orgulho, a ambição e o domínio. Tem como elemento o fogo, que lhe confere elevação, domínio, emocionalidade, atividade e paixão. 

Fonte: infopedia.

Meditação e pensamentos

"Quando falamos em meditação, a palavra usada em tibetano significa, na verdade, “familiarização”. Precisamos nos familiarizar com um novo modo de lidar com o surgimento dos pensamentos. No início, quando surge um pensamento de ira, desejo ou ciúme, não estamos preparados para ele. Portanto, em poucos segundos, esse pensamento dá origem a um segundo e a um terceiro, e logo nosso panorama mental é invadido por pensamentos que solidificam nossa raiva ou ciúme e, então, é tarde demais. Assim acontece quando uma faísca incendeia uma floresta, e estamos em apuros.

A maneira elementar de intervir chama-se “olhar para trás”, para o pensamento. Quando surge um pensamento, precisamos observá-lo e observar sua fonte. Precisamos investigar a natureza desse pensamento que parece tão sólido. Ao encará-lo, sua solidez tão óbvia se derrete e o pensamento se extingue sem dar origem a um encadeamento de pensamentos. A questão não é tentar bloquear o surgimento de pensamentos – isso nem é mesmo possível – mas não deixá-lo invadir nossa mente. Precisamos fazê-lo diversas vezes porque não estamos acostumados a lidar com os pensamentos dessa maneira. 
 
Somos iguais a uma folha de papel que ficou muito tempo enrolada. Quando tentamos abri-la sobre a mesa, ela se enrola de novo no instante em que erguemos as mãos. É assim que se realiza o treinamento. Talvez haja quem pergunte o que as pessoas fazem nos retiros, passando oito horas por dia sentados. Fazem exatamente isso: familiarizam-se com um novo modo de lidar com o surgimento dos pensamentos. Quando começamos a nos acostumar com o reconhecimento dos pensamentos é como se fôssemos capazes de identificar rapidamente numa multidão alguém que conhecemos. Quando surge um pensamento potente de forte atração ou raiva sabemos que vai levar a uma proliferação de pensamentos, passamos a reconhecê-lo: “Ah, lá vem essa idéia!”. Esse é o primeiro passo. Ajuda muito a evitar que tal pensamento o domine. Depois de se acostumar com isso, o processo de lidar com os pensamentos se torna mais natural. Não é preciso lutar e aplicar antídotos específicos a cada pensamento negativo, porque sabemos como deixá-lo se esvaecer sem deixar vestígios. Os pensamentos se desamarram. O exemplo dado é o de uma cobra. Se ela é der um nó no corpo, consegue desfazer esse nó sem esforço, sem precisar de nenhuma ajuda externa. Por fim, haverá uma época em que os pensamentos chegarão e partirão como um pássaro que passa pelo céu, sem deixar vestígios.

Outro exemplo dado é o do ladrão que entra numa casa vazia. O proprietário não tem nada a perder e o ladrão não tem nada a ganhar. É uma experiência de liberdade. Não nos tornamos simplesmente apáticos, como vegetais, mas passamos a dominar os pensamentos. Eles não nos carregam mais pelas rédeas. Isso só pode acontecer por intermédio de treinamento constante e experiência genuína. Também é assim que podemos, aos poucos, adquirir certas qualidades que passarão a integrar nossa natureza, tornam-se um novo temperamento."

- Matthieu Ricard

http://www.budavirtual.com.br/a-libertacao-dos-pensamentos/

Pensamentos des(com) nexos

De tempos em tempos algumas sementinhas despertam, no momento não se tornam textos ou poesias, mas ficam aqui dentro fazendo cócegas para sair. Deste lugar saem os pensamentos, gotinhas de algo que me tocou, que não tem conexão aparente, mas que pode ter, então não está (aqui) conectado. Talvez você encontre a conexão, talvez não. Talvez nem precise mesmo. Deixemo-nos livres... DE qualquer forma nascem de uma inspiração, sobre o tempo e a utopia me lembro, tem Galeano, Cortella, Karnal, Santo Agostinho, Lia Diskin, quem sabe mais...

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"As utopias existem porque a esperança na mudança é inerente ao ser humano. Precisamos das utopias para buscar a transformação da realidade que vivemos, na direção daquilo que pode ser melhor. Não significa, necessariamente, que chegaremos no objetivo utópico pelo qual nos movemos, mas que temos um horizonte a nos inspirar a coragem."

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Vivendo no tempo de Deus. Tempo, matéria prima mais importante da vida. "O tempo é um dom de Deus, deve ser fluído porque passa (corre) e deve ser fruído (desfrutado) - Santo Agostinho. Viver no tempo de Deus é desfrutar a vida.
Ora, se o tempo é o meu maior tesouro, para quem ando a distribuir as minhas riquezas?
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Há algo em mim que me faz saber da existência dos segredos. Há a chama da verdade sempre a me enviar sinais. Como uma lamparina na escuridão, como um cheiro de madeira queimando me avisando que há fogo por perto. Há a intuição a me convidar para a revelação, cedo ou urgente.
A verdade é uma lei universal. Como são tolos os que julgam que podem contê-la. Lei natural, revela-se além da vontade humana. Quanta ingenuidade se achar mais potente do que a natureza das coisas...
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Não é porque me calo que não sinto. Não é porque não reajo que não sei. O que brota em mim de mais profundo é também silencioso. Nasce, se fortalece e se manisfesta inquebrável, irremediável e devastador,
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Refletir, sentir, buscar a sabedoria interior. Permitir a percepção da sabedoria, coragem. Há pluralidade por toda parte, nossa percepção da realidade é plural. Pensar sobre como se pensa. "Que variáveis estão implícitas na maneira como eu vejo a vida?"
"Todos nós temos um espaço cego. Não percebemos que não percebemos" Lia Diskin
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Todo ato cria consequências. Todos somos geradores e receptores de consequências.
_Que a minha ação se torne tão universal que todos possam se beneficiar dela! Que assim seja.




Surfando com a vida

Eu gosto muito de fazer analogias para expressar minhas reflexões e acaba virando um exercício de apreciação e busca por clareza, principalmente quando envolve a natureza e seus fenômenos.
Então, eu imagino a vida emocional como o mar, cada momento íntimo uma praia, com suas belezas e particularidades, com seus encantos imediatos e seus mistérios convidativos. E viver é como surfar.
Assim como o perfil da praia, também são os visitantes dela, aqueles que nos sentimos atraídos e, por sorte ou falta dela, nos relacionamos.
Quando, e é raro, estamos alinhados, nos encontramos numa praia tranquila e nos atraímos por pessoas que buscam essa tranquilidade.
Raro, não se iluda.
Normalmente, nós estamos na praia X querendo estar na Y com pessoas Z.
A confusão é interna, acontece dentro e se manifesta fora por consequência, e por ressonância os encontros se dão.
Viver é como surfar, ninguém pega uma onda por você. No máximo, alguém torce muito e te observa, (com sorte) carinhosamente na areia. Mas lá no mar, é você e a onda.
Quem cria o mar? Quem faz as ondas selvagens? Quem quer emoções fortes?
Cada um de nós desejamos e desenhamos a própria praia. É criação própria.
Como está sua praia? Que tipo de onda anda surfando? Surfando ou sendo engolido por elas? Quem te observa da areia? 



Presente

" O que tiver de acontecer vai acontecer você queira ou não.  O que não tiver que acontecer não vai acontecer.  
Então, por que destruir o seu momento presente por algo que ainda não aconteceu?  Deixe primeiro acontecer; aí então você pode se preocupar com aquilo."
(Osho)

O que sobra?

Observa o que sobra depois do beijo, depois do encontro e da partida. Observa seu coração no silêncio da cama desacompanhada. O que sobra depois da intimidade compartilhada?
O que sobra quando os gemidos cessam e o único som presente é do vento lá fora?
Observa. O que sobra?
Se de você transbordam amor, paz, alegria é porque estamos indo bem...está sobrando.

Se relacionar e se manter no caminho

Na verdade, nós não precisamos de uma forma de sustentar nossas vidas. Nós precisamos gerar benefícios em todas as direções. Quanto mais claro for isso, melhor. Gerar benefícios inclui entender o outro no mundo dele, inclui não se abalar com as situações, acalmar os seres de tal modo que eles possam ver de uma forma mais clara e nítida, irrigar suas qualidades positivas e evitar que eles façam bobagens."

—Lama Padma Samten

A força de quem sabe o que quer

O poder de quem sabe o que quer é incontestável.
Há um encanto misterioso nos seres que sabem exatamente o que querem. Não importa muito como vão chegar lá porque o universo todo conspira a favor dos determinados, dos decididos, daqueles que não vacilam diante das distrações.
E a gente se encanta por estes seres, não há como evitar.

É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações


A música chama Trem-Bala e a cantora é a Ana Vilela

Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós
É saber se sentir infinito num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar
Então fazer valer a pena cada verso daquele poema sobre acreditar
Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações
A gente não pode ter tudo, qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso eu prefiro sorrisos e os presentes que a vida trouxe pra perto de mim
Não é sobre tudo o que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento e sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera a vida ja ficou pra trás
Segura teu filho no colo 
Sorria e abrace seus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir

O conforto ilusório

Amor e liberdade

Isso não é uma contradição. Não é um paradoxo.
Liberdade é ser quem você é, confiando no respeito, no amor e na compreensão de quem está ao seu lado.
Confiando que o que foi construído como relação vem antes do que qualquer julgamento.

Não tenha medo, seja amor

Cor Ação 

Não tenha medo, seja amor. Coração aberto para o que vier, coração aberto para sentir, coração aberto para distribuir, compartilhar.
Não tenha medo, seja o que for, seja verdade.
Há beleza infinita a nos rodear a vida, há a luz da corAgem, mas há também a sombra do medo. E que este encontro jamais te corrompa o espírito livre.
Que a sua coragem ilumine tudo a sua volta.
Que o medo não te roube a contemplação da caminhada.
Há beleza por toda parte, que o medo não te cegue os olhos.
Há o céu e ele nunca se vai, está sempre lá. Que as nuvens não encubram esta certeza.
Que sendo honesto, não perca a coragem e a motivação que te movimentam pela honestidade.
Que não sendo, descubra logo a paz em se movimentar através da verdade.
Coragem é força tamanha, mas a direção do caminho é escolha de todo dia.
Sem a escolha, a coragem é estática. Coragem de amar, coragem de receber amor.
O amor dissolve todo o medo, o amor, se você souber amar, se souber ser amado...se você permitir.

Não tenha medo, seja amor

Cor Ação 

Não tenha medo, seja amor. Coração aberto para o que vier, coração aberto para sentir, coração aberto para distribuir.
Não tenha medo, seja o que for, seja verdade.
Há beleza infinita a nos rodear a vida, há a luz da corAgem, mas há também a sombra do medo. E que este encontro jamais te corrompa o espírito livre.
Que a sua coragem ilumine tudo a sua volta.
Que o medo não te roube a contemplação da caminhada.
Há beleza por toda parte, que o medo não te cegue os olhos.
Há o céu e ele nunca se vai, está sempre lá. Que as nuvens não encubram esta certeza.
Que sendo honesto, não perca a coragem e a motivação que te movimentam pela honestidade.
Que não sendo, descubra logo a paz em se movimentar através da verdade.
Coragem é força tamanha, mas a direção do caminho é escolha de todo dia.
Sem a escolha, a coragem é estática. Coragem de amar, coragem de receber amor.
O amor dissolve todo o medo, o amor, se você souber amar, se souber ser amado...

Cure o mundo

"Pense sobre as gerações e elas dizem
Nós queremos fazer deste mundo um lugar melhor
Para nossos filhos

E para os filhos dos nossos filhos
Para que eles saibam
Que este é um mundo melhor para eles
E saibam que podem
fazer deste um lugar ainda melhor

Há um lugar no seu coração
E eu sei que é amor
E este lugar pode ser
Muito mais brilhante do que amanhã

E se você realmente tentar
Você descobrirá que não há necessidade de chorar
Neste lugar você vai sentir
Que não há mágoa ou tristeza

Há caminhos para chegar lá
Se você se importa o suficiente com a vida
Faça um pouco de espaço
Faça dele um lugar melhor

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana

Há pessoas morrendo
Se você se importa o suficiente com a vida
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim

Se você quer saber porque
O amor não pode mentir
O amor é forte
E só nos dá dádivas alegres

Se nós tentarmos, nós veremos
Nesta benção
Não podemos sentir medo ou temor
Paremos o existir e comecemos o viver

Em seguida, sempre sentiremos
Que o amor é suficiente para nós crescermos
Então faça um mundo melhor
Faça um mundo melhor

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana

Há pessoas morrendo
Se você se importa o suficiente com a vida
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim

E o sonho em que fomos concebidos
Revelará um rosto alegre
E o mundo em que sempre acreditamos
Brilhará novamente em graça

Então por que continuamos sufocando a vida?
Ferindo a Terra, crucificando sua alma
Mas é claro ver
Que este mundo é divino, é a luz de Deus

Nós podemos voar tão alto
E nunca deixe nossos espíritos morrerem
No meu coração eu sinto
Vocês todos meus irmãos

Crie um mundo sem medo
Juntos nós choraremos lágrimas de alegria
Veja as nações transformarem suas espadas
Em arados

Nós realmente poderíamos chegar lá
Se você se importou o suficiente com a vida
Faça um pouco de espaço
Para fazer um lugar melhor

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana

Há pessoas morrendo
Se você se importa o suficiente com a vida
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim

Há pessoas morrendo
Se você se importa o suficiente com a vida
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim

Para você e para mim
(Faça um lugar melhor)

Para você e para mim
(Cure o mundo em que vivemos)
Para você e para mim

(Salve-o para nossas crianças)

Sobre vulnerabilidade e empatia

"Pessoas extremamente empáticas compreendem que se não conseguimos retirar nossas máscaras nos censurando constantemente o resultado pode ser a conversa entorpecida, repetitiva e desprovida de autenticidade.
Essencialmente, remover a máscara é  uma questão de abraçar a vulnerabilidade. 
O problema é  que vivemos numa cultura em que nos tornarmos vulneráveis- expondo nossas incertezas, correnco riscos emocionais - é  considerado um fracasso. É  precisamente quando nos exposmos, talvez num relacionamento ou no trabalho, que "temos experiências que trazem propósito e significado para a vida".
Quando fazemos algo arriscado- como pedir ajuda, compartilhar uma opinião impopular, nos apaixonar, admitir que estamos inseguros ou com medo- podemos ser levados a nos sentir vulnerveis, mas também podemos construir relacionamentos mais profundos, fazer avanços criativos, sentir uma alegria intensificada, liberar nossa ansiedade e alcançar maior conexã o empática." Roman Krznaric

Das maravilhas que aparecem pelo caminho

"Ah, esta vida, às não-vezes, é terrível bonita, horrorosamente, esta vida é grande" Guimarães Rosa


Avalokiteshvara, o Buda da compaixão
O budismo não prega a adoração a nenhum Buda mas sim a reflexão sobre os ensinamentos dos mesmos para que com isso possamos viver melhor nosso dia a dia, sem muitos segredos, apenas observando a nós mesmos e a natureza.

Clarice Lispector Em A Paixão Segundo G.H
De nascer até morrer é o que eu me chamo de humana, e nunca propriamente morrerei. Mas esta não é a eternidade, é a danação. Como é luxuoso este silêncio. É acumulado de séculos. É um silêncio de barata que olha." 

"Pois o que realmente eu soube é que chegara o momento não só de ter entendido que eu não devia mais transcender, mas chegara o instante de realmente não transcender mais. E de ter já o que anteriormente eu pensava que devia ser para amanhã." 

"A desistência é uma revelação. Desisto, e terei sido a pessoa humana - e só no pior da minha condição que esta é assumida como meu destino." 

"Enquanto escrever e falar vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão. Oh, pelo menos no começo, só no começo. Logo que puder dispensá-la irei sozinha. Por enquanto preciso segurar esta tua mão - mesmo que não consiga inventar teu rosto e teus olhos e tua boca." 

"Um passo antes do clímax, um passo antes da revolução, um passo antes do que se chama amor. Um passo antes de minha vida - que, por uma espécie de forte ímã ao contrário, eu não transformava em vida; e também por uma vontade de ordem. Há um mau-gosto na desordem de viver." 

"Quem vive totalmente está vivendo para os outros, quem vive a própria largueza está fazendo uma dádiva, mesmo que sua vida se passe dentro da incomunicabilidade de uma cela."


“Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser – se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.” p. 11
“Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então não me impossibilitava de antar mas que fazia de mim um tripá estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável em mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.” p.11-12
“É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.” p.12
“O que eu era antes não me era bom. Mas era exatamente desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. (…) Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade.” p.13
“Não. Toda compreensão súbita é finalmente a revelação de uma aguda incompreensão. Todo momento de achar pe um perder-se a si próprio.” p.16
“Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão.” p.17
“Por te falar eu te assustarei e te perderei? mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia.” p.19
“Viver não é coragem, saber que se vive é coragem.” p.24
“Minha pergunta, se havia, não era: “que sou”, mas “entre quais sou”. p.28
“Há um mau-gosto na desordem de viver. E mesmo eu nem saberia, se tivesse desejado, transformar esse passo latente em passo real. Pelo prazer de uma coesão harmoniosa, pelo prazer avaro e permanentemente promissor de ter mas não gastar – eu não precisava do clímax ou da revolução ou de mais do que o pré-amor, que é tão mais feliz que o amor. A promessa me bastava? Uma promessa me bastava.” p.28-29
“Era uma violentação das minhas aspas, das aspas que faziam de mim uma citação de mim.” p.42
“Até aquele momento eu não havia percebido totalmente a minha luta, tão mergulhada que estivera nela. Mas agora, pelo silêncio onde enfim eu caíra, sabia que havia lutado, que havia sucumbido e que cedera.” p.65
“Sou cada pedaço infernal de mim.” p.65
“Sou silêncio gravado numa parede, e a borboleta mais antiga esvoaça e me defronta: a mesma de sempre. De nascer até morrer é o que eu me chamo de humana, e nunca propriamente morrerei.” p.65
“E foi assim que fui dando os primeiros passos no nada. Meus primeiros passos hesitantes em direção à vida, e abandonando a minha vida. O pé pisou no ar, e entrei no paraíso ou no inferno: no núcleo.” p.81
“Mas eu quero muito mais que isto: quero encontrar a redenção no hoje, no já, na realidade que está sendo, e não na promessa, quero encontrar a alegria neste instante.” p.83
“Não vou fazer nada por ti porque não sei mais o sentido de amor como antes eu pensava que sabia. Também do que eu pensava sobre amor, também disso estou me despedindo, já quase não sei mais o que é, já não me lembro.” p.87
“Eu, que chamava de amor a minha esperança de amor.” p.88
“Lembrei-me de ti, quando beijara teu rosto de homem, devagar, devagar beijara, e quando chegara o momento de beijar teus olhos (…) o sal de lágrimas nos teus olhos era o meu amor por ti. Mas, o que mais me havia ligado em susto de amor, fora ao meu beijo tua vida mais profundamente insípida me era dada, e beijar teu rosto era insosso e ocupado trabalho paciente de amor, era mulher tecendo um homem, assim como havias tecido, neutro artesanato da vida.” p.89
“E também o meu medo era agora diferente: não o medo de quem ainda vai entrar, mas o medo tão mais largo de quem já entrou.
Tão mais largo: era meda da minha falta de medo.” p.95
“Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir – nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.” p.98
“Eu já estava vivendo o inferno pelo qual ainda iria passar, mas não sabia se seria apenas passar, ou nele ficar. Eu já estava sabendo que esse inferno é horrível e é bom, talvez eu mesma quisesse ficar nele.” p.113
“Se tu puderes saber através de mim…” p.115
“Eu sou mansa mas minha função de viver é feroz.” p.116
“Se eu não disse é porque não sabia que sabia – mas agora sei. Vou te dizer que eu te amo. Sei que te disse antes, e que também era verdade quando te disse, mas é que só agora estou realmente dizendo.” p.117
“E eis que a mão que eu segurava me abandonou. Não, não. Eu é que larguei a mão porque agora tenho que ir sozinha” p.123
“A tentação do prazer. A tentação é comer direto na fonte. A tentação é comer direto na lei. E o castigo é não querer mais parar de comer, e comer-se a si próprio que sou matéria igualmente comível. E eu procurava a danação como uma alegria. Eu procurava o mais orgíaco de mim mesma.” p.127
“Provação. Agora entendo o que é provação. Provação: significa que a vida está me provando. Mas provação: significa que eu também estou provando. E provar pode se transformar numa sede cada vez mais insaciável.” p.130
“Ah, as pessoas põem a ideia de pecado em sexo. Mas como é inocente e infantil esse pecado. O inferno mesmo é o do amor. ” p.133
“O segredo da força era a força, o segredo do amor era o amor – e a jóia do mundo é um pedaço opaco de coisa.” p.137
“Mas descubro que não é sequer necessário ter esperança. ” p.146
“Eu não tinha coragem de deixar de ser uma promessa, e eu me prometia, assim como um adulto não tem coragem de se ver adulto e continua a se prometer a maturidade.” p.148
“Tenho que me violentar até não ter nada, e precisar de tudo; quando eu precisar, então eu terei, porque sei que é de justiça dar mais a quem pede mais, minha exigência é meu tamanho, meu vazio é minha medida.” p.152
“E eu não suportava a transformação lenta de algo que lentamente se transforma no mesmo algo, apenas acrescentado de mais uma gota idêntica de tempo.” p.156
“O divino para mim é o real.” p.167
“E agora não estou tomando tua mão para mim. Sou eu quem está te dando a mão.
Agora preciso da tua mão, não mais para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo. Sei que acreditar em tudo isso será, no começo, a tua grande solidão. Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: por amo.” p.170
“E é inútil procurar encurtar caminho e querer começar já sabendo que a voz diz pouco, já começando por ser despessoal. Pois existe a trajetória, e a trajetória não é apenas um modo de ir. A trajetória somos nós mesmos.” p.176
“Eis que tudo o que não tenho é que é meu.” p.177
“A vida se me é, e eu não entendo o que digo. E então adoro.” p.179

Para falar de amor com Fernando Pessoa

Amar é a eterna inocência.
“O guardador de rebanhos”, Alberto Caeeiro

Só sou teu onde me limito. Só toco em ti onde me perco.

“Sem título (12.08.1917), Fernando Pessoa

Ama, bebe
E cala. O mais é nada.
“Odes”, 03.11.1923, Ricardo Reis

Ninguém a outro ama, senão que ama
O que de si há nele, ou suposto.
“Odes”, 08.09.1932, Ricardo Reis

Revelações

"Para as coisas se revelarem para nós, nós precisamos estar prontos para abandonar nossas visões sobre elas" Thich Nhat Hanh

Do amor e essas coisas

“Em algum momento nós, seres humanos, nos desconectamos da nossa própria essência e nos esquecemos que o amor que tanto buscamos no mundo lá fora, está dentro de nós. Essa desconexão fez com que acreditássemos ser carentes daquilo que, na verdade, temos em abundância. E, com isso, passamos a usar toda nossa energia e inteligência para forçar o outro a nos reconhecer e considerar, ou seja, a nos amar. Mas, em algum momento amadurecemos e percebemos que, somente quando reconhecemos somos reconhecidos; somente quando consideramos somos considerados - somente quando amamos, somos amados.”

Sri Prem Baba

Fluxo da vida - onde você está?

Como adentrar no fluxo abundante e generoso da vida se a sua energia está voltada apenas para o seu próprio umbigo?

A PARÁBOLA DO SER E A CARRUAGEM

A PARÁBOLA DO SER E A CARRUAGEM
Kaṭha Upaniṣad, parte 1, canto 3. (Tradução de Pedro Kupfer)
Imagine o Ser como o senhor de uma carruagem realizando uma jornada. O corpo é a própria carruagem. O discernimento é o cocheiro. A mente, as rédeas.
Os sentidos, dizem os sábios, são os cavalos, as estradas que eles percorrem, os labirintos do desejo. Quando o Ser é confundido com o corpo, a mente e os sentidos, ele parece desfrutar o prazer e sofrer a dor.
Quando falta ao homem discernimento e à sua mente disciplina, os sentidos disparam e tornam-se incontroláveis, como cavalos selvagens.
Porém, quando o homem possui discernimento e uma mente controlada, seus sentidos, como bem treinados cavalos, facilmente respondem ao freio.
Aquele que não tiver discernimento, que não tiver disciplinado sua mente, que não for puro de coração, não alcançará a meta, ficando preso ao ciclo de mortes e renascimentos sucessivos.
Aquele que tiver discernimento, mente disciplinada e pureza interior, alcançará a meta, e nunca mais irá sofrer nas garras da morte.
Aquele que tiver o discernimento por cocheiro e controlar as rédeas de sua mente, alcançará o fim da jornada, a união com o Ilimitado.

Dos seres que me inspiram - Lia Diskin

Ela é de uma delicadeza, um amor, uma consciência e uma lucidez que, talvez este vídeo não seja capaz de transmitir.
Este ano eu tive o prazer de conhecer muitos seres constituídos deste tipo de matéria prima...
Alguns minutos de pura e substancial VIDA.



Dharma

O significado profundo de Dharma não está nas palavras, mas na experiência, na observação verdadeira e na compreensão.

Três outras definições interessantes: “O caminho das Verdades mais altas“; “A ordem subjacente da Natureza (e portanto significa ‘o modo como as coisas são’)“; e “A realização de uma natureza inerente“. Não é teoria religiosa nem filosófica. Uma vida bem examinada e investigada, onde exista auto-conhecimento (como disse Sócrates), é uma vida que encontra a Verdade, que encontra seu caminho, que encontra o Dharma. Se o universo fosse um rio, o fluxo desse rio seria o Dharma.

"No oriente o termo mais próximo de ética é Dharma, que na sua raiz verbal significa aquilo que tece,  que mantém, que sustenta, aquilo que permite que estruturas totalmente isoladas e independentes constituam um qualquer tecido, qualquer composição de fibras, algo capaz de conter, abraçar, carregar." 


A mente e o amor

"A química da mente é diferente da química do amor. A mente é cuidadosa, suspeita, ela avança pouco a pouco. Ela aconselha "Tenha cuidado, proteja-se", enquanto que amor diz: "Abandone-se, vá!" A mente é forte, nunca cai, enquanto que o amor se machuca, cai em ruínas. Mas não é nas ruínas que nós, na maioria das vezes, encontramos os tesouros? Um coração partido esconde tantos tesouros".
 Shams Tabrizi (mestre de Rumi)

Que a gratidão permaneça

Nos lampejos de consciência, (em meio, mas sem considerar as minhas limitações e expectativas) mora profunda gratidão por você que acendeu o meu coração, pelos momentos mágicos de presença inquebrável.
Nossos sentimentos mais profundos sendo tocados no efêmero e natural desfrutar da vida é por si só, um grande milagre.
A estes seres, como você, tão maravilhosos quanto impermanentes que nos cruzam o caminho para nos mostrar o que sozinhos estamos limitados demais para ver, minha profunda gratidão.
E a aspiração, de que a gratidão honre, permeie e proteja estes sentimentos tão nobres despertados no coração.
Que mesmo nos dias incertos a gratidão se faça presente.
Que a gratidão permaneça apesar do tempo implacável ou da ausência, se ela chegar.
Abençoadas sejam pessoas vaga-lumes, como você, a brilhar por segundos em nossa escuridão inexorável.
Que a lucidez e a gratidão estejam presentes em cada chegada e em cada partida.
Que nossos abraços e suspiros jamais sejam corrompidos pela dinâmica insana das expectativas frustradas, porque estas sim, são pura fantasia corrosiva.
Que sejamos um para o outro o repouso, o descanso da vida, a pausa em cada instante.
Gratidão à vida pelo privilégio desse encontro, gratidão a você pelo toque gentil e quente.
Gratidão ao tempo, generoso que esticou as horas.
Gratidão ao testemunho belo da lua cheia.
Gratidão, gratidão, gratidão... pela inspiração que tem trazido vida nova às minhas palavras.
Gratidão pela confiança, por me convidar e permitir aprender você.
Tem sido uma deliciosa descoberta.

Inteiramente

Quem é você a me observar com olhar risonho?
Quem é você a se apresentar com um abraço de aninhar?
Quem é você a me calar com respostas profundas?
Quem é você a se expressar na delicadeza das gentilezas inesperadas?
Quem é você de pele morena e olhos nublados a me visitar os sonhos?
Como pode a vida, tão sábia, ter te trazido ao acaso? 
Você que chegou flutuando pela conexão e deixou seu perfume na minha memória;
Você de coração reservado e energia pulsante acolhedora;
Vem respirar comigo;
Você com tantos desafios para ultrapassar, passos para dar, outros para cuidar;
Vem repousar aqui por um instante;
Deixe este sorriso no olhar inundar sua alma, só por este instante;
Não há nada aqui para te preocupar, não há porque duvidar; 
Só por este instante deixe a vida fluir mansamente;
Só por este instante que a alegria invada todo seu coração;
Só por este instante repouse aqui num beijo inteiramente, meu.

Paulinha Costa
Ilustração: Alex Senna

A mulher que há em mim

Há uma menina em mim;
Ela brinca e provoca, gosta de fazer brotar sorrisos e rubores;
Há uma cigana em mim;
Ela dança ao som do vento e lê a sorte no olhar, gosta de acender sentidos;
Há uma fada em mim;
Ela flutua pelas flores e voa com as borboletas, gosta de carregar o frescor da mata;
Há uma alquimista em mim;
Ela brinca com a energia das plantas, dos cristais, com os aromas e os sabores; gosta de desvendar mistérios;
Há uma sacerdotisa em mim;
Ela sabe encantar com a leveza do canto; do toque, dos sentidos; gosta de te levar para as estrelas com ela;
Há uma mãe em mim;
Ela compartilha sabedoria da experiência, o cuidado amoroso; gosta de acolher no colo e nos braços;
Há uma amazona em mim;
Ela monta seu cavalo e corre pela noite da floresta; gosta da liberdade e do calor da sua pele;
Há em mim a mulher, o fogo da vida, o corpo quente, cabelo ao vento, coração aberto;
E a paixão a acender cada poro do corpo.
Há muitas em mim;
E todas, agora, pousaram o olhar você.

Paulinha Costa
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"O mundo é isso — revelou — um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar e, quem chegar perto, pega fogo."
Eduardo Galeano